Segundo o último recenseamento geral da população, efectuado em Março de 2011 pelo Instituto Nacional de Estatística, aproximadamente 40% da população portuguesa reside nos distritos de Lisboa (2250533) e do Porto (1817172). Por conseguinte, é importante fazer uma análise espacial e por partido, nestes dois distritos. Para tal, apresentamos os padrões espaciais para cada partido, considerando o conjunto das Eleições Legislativas que tiveram lugar no período compreendido entre 1991 e 2011.

Uma outra forma de analisarmos os resultados eleitorais e um pouco à semelhança, embora com outras nuances, do que foi feito na década de oitenta por Gaspar (1985), resulta da estruturação dos resultados eleitorais em classes. Efectivamente, uma outra forma de analisarmos os resultados eleitorais e um pouco à semelhança, embora com outras nuances, do que foi feito na década de oitenta por Gaspar (1985), resulta da estruturação dos resultados eleitorais em classes. Neste caso concreto, optou-se por estruturar os resultados de cada partido em cinco classes cuja amplitude foi determinada com base no resultado nacional (RN) obtido por um determinado partido:

 

     
classe 1 menor resultado registado RN - 25%
classe 2 RN - 25% RN - 10%
classe 3 RN - 10% RN + 10%
classe 4 RN + 10% RN + 25%
classe 5 RN + 25% Maior resultado registado

 

 


CDS/PP

Ao longo das últimas décadas, o peso da votação do CDS/PP no distrito de Lisboa foi-se acentuando, mormente a partir das Legislativas de 1995. Os concelhos de Cascais, Lisboa, Lourinhã. Mafra, Oeiras e Sintra apresentam geralmente taxas de votação superiores ao valor obtido pelo partido a nível nacional. Já os concelhos localizados a centro e a este do distrito (Alenquer, Vila Franca de Xira, Azambuja e Loures), registam as percentagens de votação mais baixas relativamente ao resultado nacional obtido pelo partido.

Os concelhos onde as taxas de votação são iguais ou superiores ao valor global nacional, podem ser identificados pelos tons mais escuros da graduação de cores seleccionada. Atendendo ao conjunto de classes definidas à partida. Será porventura mais fácil identificar um município com uma taxa de votação alta mediante a análise da cartografia eleitoral do que através da consulta de uma tabela. Desta forma, através da visualização do padrão espacial o observador tem uma noção efectiva da realidade de um modo mais rápido. Por exemplo, consultando a cartografia relativa ao CDS e posteriormente confirmando com os valores das votações, é possível concluir que o município do Cadaval face aos valores de votação apresentados, merece particular atenção.

Por outro lado, este tipo de análise permite à priori fomentar um conjunto de análises que identifiquem os concelhos onde um determinado partido tem maior ou menor grau de penetração junto do eleitorado. No caso dos centristas, merece realce o facto de existir um cluster formado por um conjunto de freguesias localizadas no município de Torres Vedras (Este) e um conjunto de freguesias do concelho de Alenquer (Oeste), ambos contíguos, que manifestamente constitui um exemplo de resistência à implantação do eleitorado centrista. Segundo a mesma ordem de ideias, é possível identificar outros dois clusters, a saber: norte do município da Azambuja e o município de Loures.

Por outro lado, existe um cluster centralizado no município de Cascais e que se tende a expandir para Este (Oeiras) e para norte (Sintra). Este, caracteriza-se pelos valores elevados de votação do partido (particularmente no caso de Cascais) quando comparados com os resultados nacionais. Este tipo de análises poderá condicionar possíveis estratégias de campanha eleitoral por parte dos partidos em futuros escrutínios, mormente pelo facto de ser possível identificar clusters cujo eleitorado apresenta determinados comportamentos padronizados ao longo do tempo. De facto, sendo viável associar a uma dimensão espacial uma dimensão temporal, o resultado final possível será deveras significativo, pois permite estabelecer e identificar determinados padrões de comportamento por parte do eleitorado afecto a um determinado território. A relevância deste tipo de análises sobressai ainda mais, quando analisamos distritos onde não existe um comportamento dominante por parte de um dado partido e no caso do CDS, trata-se de um partido que à excepção do concelho de Ponte de Lima, não apresenta grandes clusters de representatividade no que diz respeito a taxas de votação elevadas.

PCP/PEV

Com base nos resultados constata-se que o PCP no distrito de Lisboa regista taxas de votação geralmente superiores aos valores nacionais. De facto, apenas os municípios do Cadaval, de Cascais, Lourinhã e Mafra representam outliers nesta tendência. Neste distrito os comunistas registam um comportamento bem padronizado ao longo do conjunto de eleições estudado. Os diversos mapeamentos apresentados confirmam a forte implantação do partido nos concelhos localizados no centro e a este do distrito. Por outro lado, o litoral e o norte do distrito constituem zonas hostis ao partido, facto traduzido na cartografia eleitoral, pela adopção de cores claras associadas às menores taxas de votação. 

Merece realce, o facto de o padrão espacial associado ao município de Lisboa ser bastante heterogéneo, particularmente a partir das eleições legislativas de 1999.

PPD/PSD

De certa forma, é possível concluir que o comportamento do PSD no distrito de Lisboa acaba por ser complementar comparativamente com o verificado pelo PCP. Assim, os concelhos em que os comunistas registam as taxas de votação mais baixas, correspondem por sua vez, aos concelhos onde os sociais-democratas obtêm os resultados mais altos no distrito. A principal conclusão a reter da cartografia eleitoral do PSD no distrito de Lisboa está relacionada com o facto de este não constituir propriamente aquilo que se denomina por um bastião do partido. Pelo contrário, na generalidade dos concelhos do distrito, o PSD regista taxas de votação iguais ou inferiores ao valor absoluto nacional obtido pelo partido (classes 1 e 2). Os padrões espaciais resultantes da cartografia dos votos são bem elucidativos do comportamento do eleitorado social-democrata. Mesmo nas eleições onde o partido venceu de forma convincente (1991 e 2002), os padrões espaciais não reflectem esse facto.

Se no centro e este do distrito o partido não apresenta resultados relevantes traduzidos na cartografia pelas tonalidades associadas às classes 1 e 2, já a norte é possível identificar um cluster espacial formado pelos municípios da Lourinhã, do Cadaval e de Torres Vedras (norte), e que se caracteriza pelos valores superiores aos resultados nacionais. Particularmente, no concelho da Lourinhã o PSD regista valores que se enquadram nas duas classes mais altas relativamente à estruturação de resultados adoptada neste estudo (classes 4 e 5).

PS

Na generalidade dos municípios do distrito de Lisboa, o PS regista ao longo das últimas eleições legislativas taxas de votação superiores aos valores nacionais. Contudo, nos concelhos de Lisboa, Oeiras, Cascais, Lourinhã, Mafra e Torres Vedras, os valores são inferiores. Esta realidade, acaba por ser traduzida pelos padrões espaciais gerados pelo mapeamento dos resultados do partido.

Uma outra conclusão que merece atenção, está relacionada com o facto de apesar de os socialistas obterem taxas de votação superiores, esses valores enquadram-se sobretudo na classe intermédia considerada (RN-10%;RN+10%). De facto, apenas pontualmente o partido atinge resultados extremos positivos traduzidos pela tonalidade mais forte da escala de cores utilizada. Aliás, o comportamento do partido no concelho de Lisboa é claramente elucidativo desta constatação, reflectindo sobretudo, uma maior homogeneidade dos resultados.

Da análise dos vários mapeamentos associados ao PS, conclui-se que não é fácil identificar clusters espaciais que apresentem uma determinada tendência no que diz respeito aos resultados eleitorais. Apesar de tudo, a zona oeste do município de Alenquer associada à zona este do concelho do Cadaval configura a existência de um cluster espacial caracterizado por taxas de votação muito altas (pertencentes às classes 4 e 5). Estaremos perante a força política cujos resultados eleitorais geram padrões espaciais mais uniformes ao longo de quase todo o território nacional (não incluindo as regiões insulares).

BE
 

Genericamente, o BE regista no distrito de Lisboa valores superiores aos valores nacionais. Os municípios da Lourinhã e Cadaval são as excepções à regra no distrito. Embora as eleições legislativas de 2011 tenham alterado a tendência verificada nos escrutínios anteriores, é possível verificar mediante a análise dos padrões espaciais associados que os bloquistas começaram por registar taxas de votação maiores precisamente nos municípios onde os comunistas registam também os seus melhores resultados (zonas este e sul do distrito). No conjunto dos municípios localizados a oeste e norte do distrito, o partido apresenta um comportamento heterogéneo que tem variado de eleição para eleição, não sendo possível identificar um padrão espacial em particular. Nos municípios de Sintra, Vila Franca de Xira, Azambuja e Amadora, os bloquistas registam mesmo taxas de votação muito superiores aos valores nacionais.

Naturalmente que a análise destas variações das taxas de votação do BE terão de ser realizadas em conjunto com as dos comunistas, atendendo a que estaremos a analisar zonas geográficas comuns e partidos oriundos da mesma zona do espectro político.