BE: ANÁLISE DO COMPORTAMENTO ELEITORAL ENTRE 1999 E 2011

As Eleições Legislativas de 1999 tiveram como principal novidade, o surgimento do Bloco de Esquerda com um novo partido político que em termos ideológicos se veio posicionar à esquerda do Partido Comunista Português. A distribuição espacial dos resultados da votação do Bloco de Esquerda é deveras peculiar conforme se constata na análise dos mapas e que nos levará, a fazermos uma análise espacial diferente posteriormente pois como já vimos anteriormente, dos cinco partidos actualmente com representação parlamentar, trata-se do único que não domina qualquer freguesia. Se nas Legislativas de 1999 e 2002, o partido obteve uma pontuação abaixo dos três pontos percentuais, já nas Legislativas de 2005 o BE mais do duplicou a respectiva votação. Nas Legislativas de 2009, obteve quase 10% dos votos e assumiu-se na altura como a quarta força nacional, ultrapassando pela primeira vez o PCP-PEV. Contudo, a conjuntura política em 2011 não se mostrou de todo favorável aos bloquistas, tendo o partido perdido parte significativa do seu eleitorado expressos na perda de cerca de 35% dos votos, relativamente às Legislativas de 2009. Será pois, com natural expectativa que se aguardam os futuros desenvolvimentos, mormente os resultados das próximas legislativas para verificarmos se se confirma a tendência de 2011 ou se simplesmente, o partido inverte o sentido negativo registado e consegue em particular, cativar e desviar parte do eleitorado associado a outras forças políticas pertencentes ao mesmo bloco ideológico. Ao analisarmos o mapeamento resultante da distribuição espacial dos resultados eleitorais do BE, facilmente se constata que se inicialmente as zonas de Lisboa e de Setúbal concentravam as maiores votações do partido, ao logo do tempo o peso dos bloquistas foi-se espraiando principalmente nas zonas urbanas (Coimbra, Porto, Faro, etc.). O Alentejo e o Algarve passaram a constituir regiões onde o partido viu o número de eleitores crescer significativamente o que à priori, não poderá ser justificado de forma simplista. Provavelmente, uma das razões que podem permitir justificar tal realidade esteja relacionada, com a possibilidade de parte da votação do BE tenha sido conseguida à custa de partidos que pertencem ao mesmo bloco ideológico (PCP-PEV e PS). Contudo, face ao carácter especulativo de tal afirmação, seria necessário um outro tipo de análise que fundamente de forma correcta esta conclusão. 

A comparação das eleições de 2009 e 2005 constituem um exemplo perfeito da evolução do partido, apesar de dois anos mais tarde ter havido um completo retrocesso no seu processo de expansão, com uma perda significativa do eleitorado que provavelmente deixou de se rever nas linhas programáticas do BE. Por certo, existirá um eleitorado flutuante entre os três principais partidos de esquerda e que de acordo com as circunstâncias, terá tendência a apresentar um comportamento volátil. Quanto aos padrões espaciais apresentados, verifica-se que a maior variação se regista entre as eleições de 2005 e 2009. O resultado obtido pelo BE nas Legislativas de 2009 (9,81%) demonstra que o partido conseguiu captar determinadas franjas do eleitorado que provavelmente havia optado por votar PS em 2005, atendendo ao facto de a votação do PCP-PEV não ter sofrido grandes alterações entre as duas eleições (7,54% em 2005 e 7,86% em 2009). O acentuado decréscimo de eleitores nas Legislativas de 2011, supostamente poderia significar uma alteração profunda no padrão espacial o que realmente não acontece. Contudo, é preciso levar atender que estamos perante um mapeamento baseado na estruturação da votação em classes e que por conseguinte, não traduz de forma eficiente a redução das taxas de votação. Verifica-se sim, que esse decréscimo é particularmente relevante no interior do país, onde em 2009, os bloquistas captaram parte do eleitorado pela primeira vez. Visualmente, esta realidade transparece pelo fato de, no mapa das Legislativas de 2011, diversos polígonos apresentarem tonalidades bem mais claras, reflexo de que a taxa de votação diminuiu consideravelmente, o que espacialmente se reflecte por um reforço das classes 1 e 2, em detrimento principalmente, das classes 3 e 4.


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